Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje!
Segundo turno no horizonte. Lula terminando a primeira etapa atrás de Flávio Bolsonaro. E a campanha petista resolve gastar a energia onde mesmo? Em brigar dentro de casa.
Quem avisa é a coluna do Danuzio: a primeira-dama Janja reagiu às críticas da ex-senadora Kátia Abreu. A história tem cena, nota e mensagem fantasma. Vamos por partes.
A CENA
Reunião da campanha com os coordenadores. Kátia Abreu, ex-senadora, defende uma fórmula curta: "menos Janja e mais Alckmin". A frase foi aplaudida pelos presentes. Depois, na GloboNews, ela confirmou tudo e ainda explicou o motivo: a primeira-dama estaria ocupando mais espaço na campanha do que o vice.
Aplauso em reunião de campanha que está atrás nas pesquisas é raro. Quando acontece, é sinal de que a frase estava engasgada na sala.
A RESPOSTA
A assessoria de Janja respondeu por nota. Ela continuará participando da campanha "independente do que falem", e a atuação dela é "legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula".
Em português de boteco, o recado é: se tem reclamação, reclama com o chefe. O problema é que o chefe é o próprio candidato, e agora a pergunta mudou de endereço.
A MENSAGEM QUE NÃO CHEGOU
E aqui a coisa fica boa. Janja teria mandado uma mensagem direto pra Kátia, dizendo que as aparições dela na campanha são decisão do Lula. Kátia, porém, disse ao jornal O Globo que não recebeu mensagem nenhuma.
Mensagem enviada, mensagem não recebida. Em tempo de campanha, até o zap some. Só a briga chegou.
O VICE
E o Geraldo Alckmin? O vice, que é o motivo da discussão, assiste. É aquele convidado que todo mundo briga pra defender e ninguém pergunta se ele quer ir pra festa.
DE QUE LADO EU TORCI
Me perguntaram de que lado eu estou. Entre as duas, eu não escolho nome. Escolho a pipoca.
Aqui no NogNews tem um partido só, e é o da briga. Eu torço pra briga. Quando a campanha do outro lado gasta o microfone discutindo quem aparece mais, quem fala menos e quem mandou mensagem pra quem, o eleitor ganha um espetáculo de graça. E o adversário ganha tempo.
O QUE ISSO CUSTA NA RETA FINAL
Campanha que briga por palanque dentro de casa perde o que mais vale na reta final: a mensagem. Cada dia gasto explicando quem pediu menos de quem é um dia a menos pra explicar o que o candidato vai fazer.
Palanque rachado é tábua que range. O eleitor indeciso, aquele que decide na última semana, não lê nota de assessoria nem acompanha troca de mensagem. Ele olha pra cena e pensa: se eles não se entendem entre eles, como vão me entender?
Até agora, o placar da briga é simples. Uma frase na reunião. Uma nota na imprensa. Uma mensagem que sumiu. E um vice sentado, quieto, esperando alguém lembrar que ele existe.
EM CIMA DA MESA
Pra Janja: se a atuação é decisão do presidente, quem decidiu que a campanha precisava de mais Janja?
Pra Kátia Abreu: o que mudou entre a frase na reunião e a entrevista na GloboNews?
Pro Alckmin: o vice quer o espaço que estão brigando por ele?
Pro Lula: quem manda no palanque?
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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